Publicado em: Vinhos - 4 de fevereiro de 2010

Entrevista com o sommelier Sidney Lucas

O Decantando a Vida, traz dessa vez, uma entrevista com o excelente sommelier Sidney Lucas, que trabalha no grupo Piquiras de Goiânia, e foi citado na coluna do Jorge Lucki, na revista Prazeres da Mesa, como um dos profissionais de destaque no Brasil. Confira:

Conte-nos um pouco da sua trajetória dentro do mundo do vinho (cursos, experiência, por onde trabalhou…)
Meu interesse pelo vinho começou naturalmente, eu já trabalhava no ramo desde os 13 anos de idade nas mais diversas funções. Comecei como faxineiro, balconista, comin, garçon, etc… porém, foi em 1998 que saí de Belo Horizonte para morar em São Paulo com a intenção de estudar na ABS, onde permaneci até o final de 1999. Tendo feito vários cursos oferecidos pela Associação Brasileira de Sommelier, retornei a BH para trabalhar com o Guilherme Corrêa no Vecchio Sogno, dando continuidade ao meu aprendizado com esse que é o melhor sommelier do Brasil. Após alguns meses assumi o Amici Miei, um wine bar cujo proprietário era o mesmo do Vecchio, o Chef Memmo Biadi. Após três anos e meio trabalhando com o Guilherme fui para a Expand Minas contribuindo ali por quatro anos. Fui para a Enoteca Decanter e depois de quase um ano voltei para a Expand Minas, onde recebi a proposta de vir para Goiânia trabalhar no grupo Piquiras onde estou bastante feliz.

O vinho da vez tem sido o do Novo Mundo (Chilenos e Argentinos principalmente). Você acha que isso ocorre, devido a uma falsa ideia, de que oferecem o melhor preço/qualidade?
Certamente está diretamente ligado a isso sim, e durante bastante tempo essa era a realidade, os vinhos europeus que chegavam ao Brasil custavam caro e tinham menos qualidade que os do novo mundo, salvo os de valores mais elevados, que realmente valiam o que custavam, na maioria das vezes. Hoje o panorama está bastante mudado, algumas importadoras tem trazido grandes vinhos europeus com preços compatíveis aos bons vinhos do novo mundo, é possível beber bons italianos, espanhóis, portugueses e de outros países do velho continente, pagando o mesmo que se paga por argentinos e chilenos de preços médios (R$50,00/R$60,00).

No seu trabalho, quais são os vinhos mais pedidos pelos clientes?
Tem uma tendência natural para os vinhos sul americanos, mas na medida que vou apresentando boas opções do velho mundo, a preços parecidos, a maioria aceita e grande parte gosta.

Em restaurantes, pelo menos no Brasil, o vinho tinto predomina em relação ao vinho branco, independente do que se vai comer. Você acha que há chance dessa prática mudar?
Já está mudando, aquela visão equivocada de que brancos, espumantes e vinhos doces são para aqueles que entendem pouco ou são para mulheres, já está indo por terra. Claro que ainda falta entender que além da harmonização entre vinho e alimento o mesmo pode harmonizar com momentos. Imagine-se à beira da piscina tomando um Brunello di Montalcino ou um Barolo, é claro que um Chablis ou um Sauvignon Blanc combina muito mais. Na medida em que a cultura do vinho vai sendo divulgada de forma correta, fica mais fácil para todos compreenderem e aceitarem que os vinhos brancos podem dar tanto prazer, ao serem bebidos, quanto os tintos; depende da hora. O reflexo dessa mudança de pensamento levará o apreciador a pedir o vinho certo para o prato certo nos restaurantes.

A cidade de Goiânia é bem conhecida pelo consumo de cerveja. Como o vinho tem adquirido seu espaço?
Acredito que por dois motivos: hoje as pessoas tem acesso a tudo e a todo tipo de informação, viajam muito, comem em grandes restaurantes no Brasil e exterior, e aos poucos vão adquirindo o hábito de beber vinho ao invés de cerveja, whisky, etc., e também graças à capacidade que o vinho tem de seduzir.

Os restaurantes da cidade têm investido na contratação de um sommelier? Ou ocorre como aqui, onde somente alguns se importam em ter um em seu quadro de funcionários?
Aqui a figura do sommelier é pouco comum, não são todas as casas que investem nesse tipo de profissional. Pode ser que julguem desnecessário, mas a escolha de um profissional de nível costuma trazer benefícios sim.

Qual a sua avaliação do vinho Brasileiro?
Por muito tempo não valia o que custava, de uns cinco ou seis anos para cá isso tem mudado. Já existem vários produtos no mercado com qualidade igual ou superior aos importados de mesmo preço. O que mais dificulta para o vinho brasileiro é a comparação equivocada com os argentinos e chilenos. Comparar a qualidade é uma coisa necessária, mas é preciso entender que o vinho brasileiro não é igual em estilo a nenhum outro, assim como os da Toscana tem sua identidade, os da Bourgogne tem outra, de acordo com suas condições climáticas e de solo. Os vinhos brasileiros não são e não devem ser iguais aos outros, deve ter tipicidade, e na minha opinião, tipicidade o Brasil tem de sobra, não existe nada no novo mundo que pareça (em estilo) com os brasileiros.

Em sua opinião, o sommelier deve provar ou não, o vinho do cliente. Independente de o vinho ter sido pedido no restaurante, ou levado pelo próprio cliente?
Penso que se uma das funções do sommelier é evitar que o vinho chegue à mesa com defeito, ele deve sim provar, independente se é da casa ou se foi levado. O sommelier está alí para prestar um serviço ao restaurante que o emprega, e também para o cliente que prestigia a casa. É dever do profissional averiguar se o vinho está ou não próprio para o consumo e, se não estiver, informar ao clinte, caso o vinho tenha sido levado por ele, ou apenas abrir outra que esteja em totais condições, se tiver sido escolhido da carta do restaurante.

O que você acha dessa evasão dos sommeliers de restaurante, para as importadoras?
Acho mais que excelente, todos ganham. A importadora, além de prestar um melhor atendimento aos seus clientes também terão o auxilio técnico na hora de “garimpar” novos rótulos. Para o sommelier é uma oportunidade a mais de crescimento.

Quais as suas preferências em relação ao vinho?
Procuro anular meu gosto pessoal ao auxiliar alguém na escolha, ou na definição de vinhos para degustações técnicas, portanto, considerando apenas os que me fazem salivar são: os Bourgogne maduros (brancos e tintos), os vinhos do Piemonte, os ribatejanos, os da Ribera del Duero, alguns do Rhône e os brancos alemães. Mas não sou de dispensar os outros não!

Fonte: blog http://www.decantandoavida.com.br/
Foto:Didier Pinheiro.

11 Respostas para "Entrevista com o sommelier Sidney Lucas"

  1. 6 de fevereiro de 2010 às 18:54

    Olá

    Sidney

    Parabéns por sua colocação e explanação nesta entrevista, percebo que não se trata de apenas um sommelier, mas de um grande profissional do setor.

    Estarei ministrando um treinamento em Goiânia na ocasião quero aproveitar para conhecê-lo.

    Um abraço
    Ivan Lima
    http://www.horesconsultoria.blogspot.com

  2. Wandenberg Pitaluga
    11 de fevereiro de 2010 às 10:10

    Realmente o Restaurante Piquiras está muito bem assessorado com um profissilnal desse gabarito. Parabéns.

  3. Thiago
    19 de fevereiro de 2010 às 14:56

    Sidney primeiramente obrigado pelas dicas e eu gostaria de saber se voçe ministra algum curso de sommelier ou na área de vinhos,eu trabalho com vinhos em uma adega de goiania mas não tenho nenhum curso e gostaria de me aperfeiçoar na area de vinhos,se voçe poder me ajudar serei grato pois é uma area que gosto muito.Desde já parabens pelo seu conheçimento e eu sou um grande admirador seu.

  4. Enio Magalhaes Freire
    26 de fevereiro de 2010 às 13:30

    Parabéns, Sommelier Sidney:

    Você respondeu bem às perguntas. Você está valorizando a todos os colegas e amgios enólogo(a)s, enófilo(a)s, sommeliers e sommelieres, e sobretudo valorizando o Vinho. Parabéns a Você e a toda a equipe Piquiras.
    Uma sugestão: Procure seguir a tendência atual no mundo (antiga na França) de que vinho é alimento, complemento de refeição e como tal não precisa ser vendido a preços estratósféricos, mesmo que seja de qualidade excepcional. Ajude a desmitificar isto.

    Grande abraço,

    Enio Magalhães Freire
    Setor Oeste – Goiânia.

  5. Marcella Santos
    6 de março de 2010 às 11:25

    Parabéns ao Piquiras por esse profissional altamente qualificado.
    Sidney a entrevista foi excelente e nos ajudou a entender um pouco mais sobre o fantastico mundo dos vinhos.

  6. AurineideFeritas
    17 de maio de 2010 às 20:44

    Gostei muito das sua dicas e gostaria de saber onde posso fazer um curso nessa área de vinho aqui em goiânia.

    grata :

    Aurineide

  7. RICARDO DOS SANTOS CUNHA
    3 de fevereiro de 2011 às 10:20

    GOSTARIA DE OBTER INFORMAÇÕES SOBRE SER SOMMLIER, CURSOS E SE
    EXISTE EM SANTOS. ESTOU COM A IDADE DE 21 ANOS E SOU APAIXONA-
    DISSIMO POR APRENDER SOBRE VINHOS E ATÉ ESTOU TRABALHANDO EM
    UMA LOJA DE ….QUEIJO BOM, NA CIDADE DE PERUÍBE.
    POR FAVOR, NÃO DEIXE DE ME INFORMAR ALGO A RESPEITO

  8. ana paula garcia
    7 de fevereiro de 2011 às 20:02

    Parabens Sidney pelo seu trabalho junto a grandes nomes da grastonomia. Estou abrindo um empório no interior de Goias, e estou a procura de um sommelier que possa me auxiliar na elaboraçao de uma carta portifólio para começar, caso trabalhe com este segmento agradeço se puder entrar em contato. Obrigada.

  9. Sidney Lucas
    9 de fevereiro de 2011 às 23:48

    Ana Paula, obrigado. Terei o maior prazer em colaborar! Seguem os contatos: (62) 7812-3417 / sidney@piquiras.com

    Obrigado pela visita ao site.

    Sidney Lucas

  10. Sidney Lucas
    10 de fevereiro de 2011 às 0:26

    Ricardo, obrigado por visitar nosso site. Quanto a ser sommelier demanda tempo, empenho, estudo, noções de administração, culinária, atendimento, etc… é um contexto. Portanto, o mais importante você já tem, a paixão, como você mesmo afirmou. Não sei se em Santos terá uma A.B.S. (Associação Brasileira de Sommeliers) ou os cursos da “Wine & Spirit Education Trust” que são feitos por pessoas muito competentes e confiáveis, mas na capital de seu estado tem, procure-os. Faça os cursos que oferecem mas não se contente, continue estudando por conta própria e invista em livros de bons autores como Oz Clarke, Jencis Robinson, Hugh johnson, Saul Galvão e vários outros. Acesse os sites: http://www.thewineschool.com.br e http://www.abs-sp.com.br

    Espero ter ajudado.

    Sidney Lucas

  11. weliton batista de souza
    15 de abril de 2011 às 2:38

    olha só, considerado um dos melhores do brasil.parabens, que orgulho de voçe, a muito tempo não o vejo, e agora encontro o seu rosto destacado como um dos grandes em seu trabalho. espero ouvir mais de voce! um abraço, que Deus continue te abencoando e te conduzindo. ass weliton de Betim-mg.

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